Temos o privilégio de viajar imenso pelas ilhas em trabalho e desta vez aproveitamos a oportunidade para fazer uma roadtrip em família e conjugar o melhor de dois mundos. O destino: São Nicolau!

Nem sempre é fácil chegar à ilha. Por mar é quase impensável, tendo em conta a distância a partir da capital de Cabo Verde, e por via aérea é preciso marcar com antecedência para conseguir lugar num dos poucos vôos semanais.

Vista aérea ilha de cabo verde
Vista aérea, na chegada à ilha.

Mas vale a pena! E de que maneira!

Talvez por ser uma das mais isoladas e de difícil acesso, São Nicolau mantém um encanto bucólico e uma energia que nos remete para o início do século XX.

Montamos base na Ribeira Brava, a principal vila da Ilha, na simpática Pensão Santo António com vista para o terreiro e para a igreja matriz.

Por aqui vale a pena passear pelas ruas estreitas; apreciar a arquitetura colonial; visitar o seminário (primeiro liceu de Cabo Verde) sentar-se na praça a ver a vida correr. Devagar.. ao ritmo da vila.

Aqui ninguém é estranho e mesmo os visitantes são recebidos como família, saudados na rua e, em pouco mais de um dia de estadia, conhecidos pelo primeiro nome.

Sentimo-nos em casa!

Igreja matriz
A Igreja Matriz, no Terreiro da Ribeira Brava
Vista de encosta com habitaçoes
Ribeira Brava
Ruas estreitas
As suas ruelas estreitas

Mas a ilha é mais do que apenas esta vila familiar. Não longe da Ribeira Brava visitamos o Caleijão. Terra onde nasceu “Chiquinho” o romance homónimo do escritor Baltasar Lopes da Silva e cuja leitura recomendamos vivamente!

O Caleijão de Chiquinho continua intacto; a mesma vocação rural; as ruínas do antigo orfanato, os caminhos de cabra; vistas de cortar a respiração e um dos mais virtuosos artesãos da ilha.

Montanhas
Aldeia de Caleijão, terra da obra “Chiquinho” de Baltasar Lopes da Silva.

Pedro, vive numa das várias casas de pedra da aldeia e das suas mãos saem das mais bonitas peças de verga que já vimos. Cestos, garrafas; balaios e muitas outras peças que a imaginação e experiência lhe permitem produzir.

Próximo destino: Tarrafal

Para chegar ao Tarrafal de São Nicolau é preciso atravessar a ilha, de novo via Ribeira Brava. A estrada é asfaltada e segura o que torna a viagem relativamente rápida (40 minutos). Mas, não houvesse um fotógrafo na família, o trajeto demorou um pouco mais.

O caminho é bonito, com paisagens que merecem registo e encontros com dragoeiros (a árvore endémica da ilha) que nos acompanha ao longo de boa parte do percurso.

Houve ainda tempo para um desvio ao Monte Cintinha onde fica uma bonita capela e um miradouro que nos permite ver boa parte da ilha.

Desta vez não subimos ao parque natural de Monte Gordo, cuja entrada fica na estrada que nos leva ao Tarrafal. Mas, o tempo era limitado e tínhamos de fazer opções. Mas já lá estivemos noutras ocasiões e recomendamos

árvores endémicas de cabo verde, dragoeiros
Dragoeiros.
capela na montanha
Monte Cintinha.
trilhos na montanha
Monte Gordo.

Para quem gosta de caminhadas e trekking há trilhos alucinantes no parque que são imperdíveis!

O Tarrafal é a vila piscatória da Ilha, onde funciona a mais antiga fábrica de conservas do arquipélago, um edifício histórico e que representa boa parte da economia do município.

Mesmo ao lado da fábrica fica o recém criado Museu da Pesca que reúne utensilios e informações sobre a principal atividade do Tarrafal. Foi aqui que almoçámos.

Praia do Tarrafal.
museu da pesca
Museu da Pesca.
esplanada com vista para o mar
Esplanada do Museu da Pesca.

Peixe fresco num bonito pátio com vista para a linda praia do Tarrafal.

Depois do almoço tínhamos o rumo bem traçado: Carbeirinho. Uma formação rochosa que faz parte das 7 maravilhas de Cabo Verde e que, apesar das nossas muitas viagens à ilha, nunca tínhamos visitado. Era desta!

O Carbeirinho fica a 15 minutos do Tarrafal por uma estrada que contorna a costa até encontrarmos a indicação que obriga a voltar à esquerda por um caminha de terra batida que nos remete para a Lua. Pedras e cabras, nada mais!

O carro fica estacionado ao cima da colina. O resto faz-se a pé até chegar ao precipício onde uma escada de madeira nos permite descer em segurança.

A partir daqui tudo é incrivel! O Carbeirinho descreve-se melhor em imagens do que em palavras. Simplesmente único!

carbeirinho em são nicolau
Carbeirinho.
carbeirinho em são nicolau
Carbeirinho.
carbeirinho em são nicolau
Carbeirinho.

Era tempo de regressar à Ribeira Brava, mas antes uma paragem rápida na Praia Branca, aldeia onde nasceu a famosa morna Sodade que Cesária Évora cantou por todo o mundo.

entrada na aldeia de ribeira brava
Aldeia de Praia Branca, berço de “Sodade”.

E que Sodade vamos também nós ter de São Nicolau!

Como ir: Por via aérea através da Binter Cabo Verde partindo da cidade da Praia.

Onde ficar: Pensão Santo António (Ribeira Brava) ou Farinha de Pau Eco Lodge (Tarrafal)

Onde Comer: D. Netinha na Ribeira Brava (uma verdadeira avó carinhosa, sempre pronta para servir aos visitantes refeições caseiras e saborosas); Museu da Pesca (Tarrafal)

Dicas úteis: A ilha é pacata e sossegada portanto é conveniente fazer sempre a marcação das refeições, sobretudo se for em grupo. Recomendamos também que alugue carro para percorrer a ilha com mais liberdade, embora haja transporte frequente entre a Ribeira Brava e o Tarrafal nas populares “hiaces”.